quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Importância de Preparar para o Nascimento

 
Sobre a importância da preparação para o parto nos dias que correm, um excerto de um intereressante texto do Dr.Emílio Santos, obstetra espanhol, percursosr do parto natural e na água com clínica em Madrid.



“O corpo da mulher está construído para parir de forma natural, foi desenhado ao longo de centenas de milhares de anos para o fazer, e uma mulher que se permita confiar no seu corpo e nos seus próprios ritmos é um ser poderoso. Parir de forma natural é o melhor para a mãe e bebé.



Porém, hoje em dia na nossa sociedade, desde tenra idade que as mulheres aprenderam a não ouvir nem confiar nos seus instintos, e muito menos imaginar que dar à luz pode ser um momento gratificante. Por isso, a maioria das mulheres precisa de uma preparação para o parto, pois não estão adequadamente preparadas para ele.
Precisam reaprender as habilidades que lhes permitam dar à luz por si próprias – basicamente a habilidade de escutar e confiar no seu corpo e de serem elas próprias a guiar o  seu proprio parto.


Muitas mulheres buscam um parto digno e natural. Porém a maior parte não está preparadas física, emocional e psicologicamente para um parto de baixa intervenção nem para a possibilidade de complicações. São muitas vezes mulheres ques idealizaram um tipo de parto e acabam tomando a epidural porque não estão preparadas para o processo, por vezes tão longo e tão duro, ou terminam na indução porque não têm contracções.
Pensam que ler como preparação é suficiente.



As mulheres estão de facto capacitadas para parir, porém  têm de desaprender primeiro o que a nossa cultura e repressão social transmite erroneamente sobre o parto.
É necessario fazer uma preparação porque não conhecemos e não estamos conectadas com os nossos corpos, e temos muitos medos que vão aflorar no momento do parto.
E dificultá-lo.



Hoje em dia, o parto natural não é o parto das nossas mães, medicalizado mas sem epidural, em muitos casos um parto com dor e sofrimento.
Nem sequer é o parto das nossas avós nem tetravós, não medicalizado porém, obstruído por conceitos éticos que as obrigavam a estar numa cama tapadas de cima abaixo também com dor e sofrimento. Este tipo de parto não é o natural e já passou à história, na realidade há milenios que o parto deixou de ser natural.



O parto natural é uma experiência que incrementa a auto-estima e a auto-confiança. É uma experiência que a mulher desfrutará de recordar uma e outra vez, desfrutará de contar às suas amigas e familiares. Um parto natural é descobrir em si mesma uma potência que nunca suspeitou que poderia ter!

O parto é uma viajem, uma transição, uma travessia que num dado momento cada mulher deve realizar sozinha.
Por muito acompanhada e apoiada que esteja, há sempre um ponto em que és tu e a tua dor, tu frente aos teus medos, tu frente à tua vontade de escapar, tu frente à tua dificuldade em deixar-te levar, para deixar de controlar, para abandonar-te e confiar.



Sim, o parto é uma iniciação interna. Se o vives verdadeiramente e o compreendes, a aprendizagem servir-te-á para toda a vida, para todas as crises, pois como na vida as contracções sempre vão e veêm... 



As mulheres deviam ouvir outros relatos de parto e estar preparadas para saber que haverá um momento crítico no parto, em que os seus medos saírão e que devem pensar de antemão como os enfrentar então e que tipo de ajuda sentem que funcionará nessa altura. Preparar-se.
Para mim, o parto é como uma dura ascensão de alta montanha, pelo menos o primeiro, porque é então que deixamos de ser filhas para ser mães, é uma transição imensa!
E por tudo isso, o livro que mais gosto e que faz diferença na preparação para o parto é BIRTHING FROM WITHIN, dar à luz a partir de dentro(...)”










quarta-feira, 14 de julho de 2010

Birthing From Within e Gentle Birth Method

São duas filosofias que me inspiram, que aprendi e cujas abordagens utilizo com mães e grávidas, no desenvolvimento pessoal para o parto e maternidade.

BIRTHING FROM  WITHIN

Criado por Pam England, uma parteira norte-americana depois do nascimento do seu primeiro filho por cesareana, é uma abordagem holística no sentido que integra a mãe na sua nova dimensão física, psíquica, mental e social.
Mais do que a assimilação de informação obstétrica indiferenciada, a essência desta preparação é a capacidade de conexão interna da mãe consigo própria.
Uma vez centrada em si, poderá explorar as suas expectativas e também os seus medos em relação ao parto e ao nascimento,  formulando então uma preparação personalizada e identificando recursos pessoais capazes de lhe devolverem a auto-confiança, segurança e harmonia pessoais.
Utilizando técnicas de meditação, relaxamento, trabalho com a dor e arteterapia este método traz-nos consciência, poder pessoal e incentiva-nos a tomar a responsabilidade activa na nossa gravidez, parto e maternidade. É verdadeiramente dar à luz, a partir de dentro!



GENTLE  BIRTH  METHOD


O método para um parto suave foi formulado pela Drª Gowri Motha, uma obstetra de origem indiana que há mais de 20 anos tem vindo a explorar alternativas à pratica da obstetrícia convencional nos hospitais londrinos, onde foi também pioneira no parto dentro de água.
O seu programa de preparação centra novamente a mulher nela própria, estimulando a parteira interior dentro de cada uma de nós e permitindo que a maternidade floresça.
A sua abordagem é mais concreta e firmemente direccionada para os objectivos, actuando quase como um coaching para a gravidez. Os seus três pilares basilares consistem em:
Remover o medo, responsável pela ansiedade e grande parte das dificuldades sentidas durante o parto
Conhecer o processo pelo qual vai passar e progamar-se para ele diminuia ansiedade do desconhecido;
Construir a confiança aumenta a capacidade emocional para enfrentar o trabalho de parto e lidar com a dor.
As técnicas de visualização e PNL (programação neurolinguistica) desempenham neste sentido um papel muito importante. Com uma componente mais física o método combina também a alimentação e algumas terapias complementares como a reflexologia, homeopatia e tecnicas especificas de massagem.


Alguns princípios que partilhamos:

O nascimento é um profundo rito de passagem para uma nova forma de vida, não um evento médico, mesmo quando ele faz parte do parto.

A preparação infunde calma, confiança e controle.

As mulheres devem preparar-se para o nascimento não só com a mente e o corpo, mas também com a alma .e o coração

Construir a confiança, a atitude e a determinação são a chave para um parto bem sucedido.

É essencial a mãe aprender a trazer à consciência os medos e resistências, transformando-os em soluções perfeitamente confortáveis.

Previligiar o contacto da mãe consigo própria e o fortalecimento da sua confiança, mais do que a transmissão de informação obstétrica.

O parto não é um fim em si, mas o início de uma nova forma de vida e de uma nova identidade.

É essencial preparar o pós-parto e oferecer suporte físico e emocional aos recém-pais para que possam sentir-se seguros e confiantes para cuidar do seu bebé de forma tranquila.

A creatingBirth é um projecto inspirado nas linhas gerais destes dois programas, porém não se concentrando exclusivamente na gravidez e parto, pois estes não são um fim em si, mas incentivando as futuras mães a reflectirem e prepararem a transição para a maternidade.
Para saber mais,  vê as páginas em cima.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

21 Junho 2010

Queridas amigas e amigos, nasce hoje dia 21 de Junho o blog da creatingBirth no primeiro dia do Verão! Entre as energias de Gémeos e Caranguejo, para bem vos informar sobre o mundo lunar..
Mas mais do que informar, conto que ele possa sobretudo inspirar e apoiar mulheres, grávidas e mães para maternidades mais conscientes e gratificantes!
Em breve, o primeiro artigo..



Geografia de um Parto

Um texto básico, sobre um tema basico: onde afinal, no nosso corpo, acontece o parto?

Uma reconhecida parteira mexicana tem uma expressão fabulosa, diz que“ o parto acontece entre as orelhas”!

E não poderia ter escolhido melhor imagem para dizer que o parto acontece na cabeça.. e eu acrescentaria, também no coração. E só depois no corpo.
Como assim? Vou contar-vos a história da dança das hormonas..

Entre outros insondáveis motivos, o trabalho de parto é desencadeado por endorfinas. São estas hormonas que dão ordem ao hipotálamo da mãe para que se liberte occitocina, a hormona que faz o parto acontecer. Então, também da placenta se libertam mais hormonas que induzem à transformação dos tecidos do colo do útero, assegurando o seu relaxamento e abertura.

Esta verdadeira explosão de hormonas flui particularmente bem quando o sistema nervoso parassimpático (cujos neurónios se encontram na cabeça e espinal medula!) se encontra activo. Este é o sistema que permite ao organismo dar respostas quando em situações de calma e relaxamento.
Assim, num estado de calma e descontracção a mãe beneficiará da libertação de quantidades óptimas de hormonas benéficas para os tecidos vaginais, amaciando-os e fazendo com que a dilatação do colo do útero se dê de forma mais rápida, suave e eficiente!

Para que o trabalho prossiga em bom ritmo é imprescindível manter afastados o medo e ansiedade tanto quanto possível – estes são os maiores inimigos do parto. Fazem com que o corpo liberte adrenalina, que estimula a fuga e a luta, anulando o efeito da occitocina: perante uma sensação de perigo, esta tem um efeito constritor sobre o corpo, provocando o aperto dos músculos e impedindo o colo do útero de dilatar ou o próprio útero de contrair de forma eficaz. Sobrevindo daí mais dor ou mesmo o bloqueio do trabalho de parto.

Então, preparar para o parto significa apenas afastar a turbulência provocada pela ansiedade e manter tanto quanto possível um estado de confiança e harmonia. O corpo poderá então prosseguir com o seu trabalho de forma mais ou menos suave e eficiente. (nos casos de gravidezes regulares, claro)

É claro que nem sempre é fácil. No mundo animal todas as fêmeas o fazem naturalmente, refugiando-se num lugar seguro e reservado, permanecendo relaxadas e respirando profundamente. Mas para nós, mulheres ocidentais, com anos e anos de cultura de medo do parto e outras inseguranças, isto pode ser um desafio. Ou não.
É possível então explorar formas especificas de eliminar as ansiedades e trabalhar o medo da dor, e em contrapartida, aprender a construir e manter ao longo da gravidez e do trabalho de parto um sentimento de tranquilidade e segurança.
E isto significa trabalhar não só com a mente, mas também com o coração. E apesar de não irmos correr uma maratona, um corpo minimamente bem descongestionado e sobretudo sem retenção de líquidos ou gordura em excesso que possa dificultar o movimento dos tecidos, também ajuda. O resto, é com as hormonas!